O Comando Central dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (12), que um bombardeiro B-1B Lancer da Força Aérea americana realizou um voo operacional para o Oriente Médio. Segundo o comando, a missão de treinamento ocorreu no dia 9 de maio, mas a base de decolagem não foi informada.

De acordo com a Military Air Tracking Alliance, voos de treinamento para a região, partindo da Base Aérea de Fairford, no Reino Unido, têm sido quase diários. As operações com bombardeiros estratégicos B-1B Lancer e B-52H Stratofortress duram, em média, de nove a dez horas. Atualmente, a base britânica abriga 23 bombardeiros americanos, sendo 15 do modelo B-1B e oito do B-52H.

Cada bombardeiro B-1B pode ser armado com 24 bombas guiadas JDAM, de aproximadamente 900 quilos cada e com alcance de 20 quilômetros, ou com 12 mísseis de cruzeiro JASSM, capazes de atingir alvos a cerca de 300 quilômetros. Armamentos desse tipo teriam sido utilizados em operações contra alvos estratégicos no Irã, como instalações de mísseis balísticos.

A movimentação militar ocorre em um momento de alta tensão e indefinição sobre um acordo de paz. Em declaração na Casa Branca na segunda-feira (11), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a contraproposta do governo iraniano e afirmou que o cessar-fogo está "na UTI" e "por um fio".

A proposta do Irã para encerrar o conflito exigia a compensação por danos de guerra, o fim do bloqueio naval americano, garantias de que não haveria novos ataques e a retomada das vendas de seu petróleo. Diante do impasse, Trump prometeu uma nova escalada da violência e convocou uma reunião de emergência com a cúpula de seu governo.

Em resposta, o presidente do parlamento iraniano declarou que as forças do país estão prontas para reagir a "qualquer agressão" e que os Estados Unidos ficarão "surpreendidos". O regime iraniano também afirmou, por meio de redes sociais, que pretende enriquecer urânio a 90% caso sofra novos ataques.

A crise acontece em um momento de queda na popularidade do presidente americano. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira mostrou que dois em cada três norte-americanos acreditam que Donald Trump não explicou de forma clara os motivos para a guerra com o Irã. Essa percepção é compartilhada por um em cada três eleitores republicanos e pela quase totalidade dos democratas.