Uma explosão de gás de cozinha na Zona Oeste de São Paulo, ocorrida na tarde de segunda-feira, 12, gerou um desgaste para a imagem do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição. O incidente causou uma morte, deixou três feridos, destruiu e interditou vários imóveis, forçando dezenas de pessoas a deixarem suas casas.
Em nota divulgada na noite de segunda, a Sabesp, cuja privatização é uma das principais bandeiras da gestão Tarcísio, admitiu que perfurou uma tubulação de gás durante um serviço de manutenção que realizava na região. A dinâmica e a responsabilidade pelo acidente serão apuradas em investigação.
Logo após a confirmação da morte, o governador convocou uma reunião de emergência no Palácio dos Bandeirantes com representantes da Sabesp, da Comgás, acionada para conter o vazamento, e da Artesp, a agência reguladora de serviços públicos do estado. "Todos terão seus prejuízos ressarcidos e suas residências devidamente recuperadas. A Arsesp, empresa reguladora, já foi acionada para apuração das responsabilidades e devidas sanções", afirmou Tarcísio em suas redes sociais.
As companhias de saneamento e gás informaram que os moradores afetados receberão um auxílio de R$ 2.000 para despesas com deslocamento, uma vez que muitos precisaram deixar suas residências devido ao risco estrutural.
Apesar da rápida reação do governo, o episódio entrou na mira de opositores e deve ser explorado na campanha eleitoral. No X (antigo Twitter), a hashtag "Tragédia de Freitas" figurou entre os assuntos mais comentados na manhã de terça-feira, 12.
Parlamentares do PT associaram a explosão a uma suposta queda na qualidade dos serviços após a privatização da Sabesp. "A Sabesp privatizada só tem proporcionado graves problemas para os usuários desde que foi privatizada", disse o deputado estadual Simão Pedro (PT-SP). Na mesma linha, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), vice-líder do governo na Câmara, afirmou: "Quando privatizam sem responsabilidade, quem paga a conta é o povo. Esse é o ‘legado’ do bolsonarismo em São Paulo".
As críticas chegaram também ao governo federal. O ministro Guilherme Boulos mencionou outros problemas que atribuiu à companhia. "Mais uma tragédia causada pela Sabesp privatizada de Tarcísio de Freitas. Depois da água suja saindo das torneiras, problemas operacionais de todo tipo, um buraco gigante na marginal, agora uma explosão que deixou mais de 160 pessoas desabrigadas e causou a morte de mais uma pessoa", declarou Boulos, lembrando que o PSOL tentou barrar a privatização no Supremo, sem sucesso.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril aponta que Tarcísio tem chances de reeleição no primeiro turno, com 40% das intenções de voto contra 28% de Fernando Haddad. O percentual de indecisos e nulos, de 27%, pode ser decisivo no cenário eleitoral.









