A Cálix Comunicação, agência do publicitário Marcello Lopes, o Marcelão, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, venceu duas licitações durante o governo de Jair Bolsonaro que garantiram à empresa contratos de aproximadamente R$ 70 milhões por ano com o governo federal. Os dados são do Portal da Transparência.

Fundada em 2003, a agência nunca havia obtido contratos na administração federal antes da gestão Bolsonaro. Marcelão, que é ex-policial civil do Distrito Federal e amigo de Flávio, tem sido apontado como uma figura central na pré-campanha do senador. Seu nome ganhou destaque recente após ser citado como estrategista em um plano de "marketing de guerrilha" para o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O primeiro e maior contrato da Cálix, no valor de R$ 55 milhões anuais, foi assinado em dezembro de 2021 com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, sob a gestão de Rogério Marinho. Com vigência inicial de um ano, o acordo vem sendo renovado desde então.

Cinco meses depois, em maio de 2022, a agência venceu uma licitação de R$ 14,96 milhões por ano para prestar serviços ao Ministério da Infraestrutura. O contrato, no entanto, só foi assinado em janeiro de 2023, já no início do governo Lula. Com a reestruturação dos ministérios, o primeiro contrato foi mantido na pasta, agora chamada de Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

As renovações garantiram a continuidade dos serviços. O segundo contrato, por exemplo, foi renovado no mês passado e tem vigência até abril de 2027. Somados, os acordos firmados na gestão anterior podem render à empresa de Marcelão pelo menos R$ 334,8 milhões até o próximo ano, com base nas previsões contratuais. Segundo informações, o governo Lula já repassou R$ 71,5 milhões à Cálix.

Já na atual gestão, a agência de Marcelão venceu, em conjunto com a agência Escala, outra licitação, desta vez do Banco da Amazônia. O contrato é de R$ 50 milhões, com vigência até fevereiro do próximo ano.

O nome de Marcello Lopes apareceu em uma apresentação da Agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda, como "estrategista" de um plano para Vorcaro. O projeto, apresentado em dezembro de 2025, visava usar influenciadores para lançar suspeitas sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master. Miranda confirmou que a estratégia foi encomendada pelo banqueiro.

Recentemente, a Cálix tentou disputar um contrato de R$ 300 milhões com o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em São Paulo, mas foi desclassificada por descumprimento de regras do edital.

Procurado, Marcello Lopes afirmou em nota que as licitações foram conduzidas por equipes técnicas dos órgãos, com propostas julgadas sem identificação da empresa. Ele declarou que "os contratos não guardam qualquer relação direta ou indireta com o senador Flávio Bolsonaro" e que a Cálix, com 23 anos de mercado, já venceu licitações em governos de diferentes orientações políticas.