O resultado final da acirrada eleição presidencial no Peru só deve ser conhecido em duas semanas ou mais. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) por Bernardo Pachas, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o órgão responsável pela apuração no país.
Com 96% das atas apuradas, o candidato de esquerda Roberto Sánchez aparece com 50,05% dos votos, enquanto a direitista Keiko Fujimori registra 49,94%. A diferença entre os dois é de apenas 20 mil votos, o que configura um empate técnico.
Segundo Pachas, a apuração da eleição de domingo “poderia demorar entre duas semanas e até o fim do mês”. O chefe do ONPE explicou que o prazo depende do tempo necessário para analisar contestações e atas impugnadas, que somam cerca de 450 mil votos. A autoridade eleitoral não descartou que a contagem se estenda até o início de julho, aguardando a chegada de atas do exterior e de zonas rurais.
A disputa coloca frente a frente Keiko Fujimori, de 51 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), e Roberto Sánchez, de 57 anos, considerado herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, preso após uma tentativa de autogolpe em 2022. Esta é a quarta vez que Fujimori disputa a presidência, enquanto Sánchez concorre pela primeira vez.
A demora na divulgação dos resultados não é incomum no Peru. Em 2021, a apuração do segundo turno entre Pedro Castillo e a própria Keiko Fujimori levou seis semanas para ser concluída. Na ocasião, Castillo venceu com 50,12% dos votos, contra 49,87% da adversária.
Keiko Fujimori pediu prudência e evitou projeções. “Eu acredito que é muito prematuro declarar um vencedor, cabe a mim esperar”, disse a candidata à imprensa, ressaltando que a apuração de atas pendentes pode “reduzir a diferença”.
A missão de observação eleitoral da União Europeia classificou o segundo turno como “tranquilo e ordenado”, apesar da campanha polarizada. Annalisa Corrado, chefe da missão, pediu que os candidatos “esperem com paciência a proclamação oficial dos resultados”.
O vencedor da eleição substituirá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho, para um mandato de cinco anos.









