A história de superação do artista plástico Willian Diego Miguel, de 37 anos, foi o ponto alto da segunda edição do “Vem Cer Artista”, realizado na manhã de segunda-feira, dia 18, em Barueri. O evento, promovido no auditório da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD), reuniu profissionais e usuários do Centro Especializado em Reabilitação (CER) para discutir arte e inclusão.

Willian descobriu seu talento para a pintura após um grave acidente em uma marcenaria em 2014, quando uma chapa de madeira desabou sobre ele, resultando na perda dos movimentos do pescoço para baixo. Hoje, ele produz suas obras de arte segurando o pincel com os dentes.

Durante o encontro, o artista compartilhou sua trajetória, desde a infância até as conquistas e dificuldades diárias. Devido a quatro pinos implantados no pescoço, ele consegue permanecer sentado por no máximo quatro horas por dia. “Se ocorrer um ‘estralo’ (tranco), a dor é insuportável, e sou obrigado a parar na hora e suspender a pintura, que é a coisa que mais amo fazer”, relatou.

Todo o processo criativo de Willian conta com o auxílio fundamental de sua mãe, Ana Maria Valentino Miguel, de 60 anos. Ela interrompe suas atividades como costureira para ajudar o filho a selecionar pincéis, escolher tintas e ajustar as telas. Por conta da complexidade, raramente uma obra é concluída no mesmo dia.

O “Vem Cer Artista” é um grupo terapêutico que busca novas formas de seguir adiante após diagnósticos que impõem limitações. “A proposta do grupo entende a saúde de forma mais ampla. É importante fomentar a autonomia e a participação social dos usuários do CER”, explicou Cíntia Ishara, fonoaudióloga do centro e uma das organizadoras.

A mesa de trabalhos contou também com Tânia Britto, professora de artes da Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri, que falou sobre os benefícios da arte e os desafios de valorização profissional na área. O evento ainda abordou o combate ao capacitismo, definido como a atitude que estigmatiza pessoas com deficiência.

Ao final, Willian Diego Miguel, que aceita encomendas com prazo de entrega indefinido devido às suas limitações, deixou uma mensagem de otimismo. “Desenhar é driblar a realidade e viver em um mundo cheio de esperança”, concluiu o artista.