O que antes pertencia à ficção científica está cada vez mais perto de se tornar realidade nos céus. Os chamados carros voadores, tecnicamente conhecidos como eVTOLs (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical), são a nova fronteira da aviação, com cerca de 300 empresas em uma corrida para desenvolver e certificar suas aeronaves.

A brasileira Embraer, por meio de sua subsidiária Eve, é uma das protagonistas dessa disputa com o modelo Eve 100. A aeronave, que já concluiu testes de voo pairado, está em processo para obter as licenças de operação no Brasil até o próximo ano. O aparelho tem capacidade para quatro passageiros e um piloto, com alcance de 100 quilômetros e velocidade de cruzeiro de cerca de 200 km/h.

A expectativa é que as primeiras rotas comerciais comecem a operar já em 2026 na China e em Dubai, com aeronaves da chinesa EHang e da americana Joby. O mercado potencial é gigantesco. A Eve projeta que, até 2045, aproximadamente 30 mil eVTOLs estejam em operação globalmente, superando a atual frota de helicópteros comerciais. Apenas as receitas com transporte de passageiros devem somar 280 bilhões de dólares nos próximos dezenove anos.

O foco principal da maioria dos projetos é o transporte urbano de passageiros, funcionando como uma alternativa aos helicópteros em grandes metrópoles ou em viagens de curta distância. Por isso, os principais clientes são companhias aéreas e empresas de táxi aéreo. A brasileira Revo, por exemplo, fechou um contrato para adquirir dez aeronaves Eve 100, com opção de compra de mais quarenta. Se o acordo for integralmente exercido, o valor pode chegar a 250 milhões de dólares, com a primeira entrega prevista para o fim de 2027.

Outra companhia aérea brasileira, a Gol, anunciou em 2021 um contrato para compra ou arrendamento de até 250 unidades do modelo VX4, da britânica Vertical Aerospace. Este concorrente direto do Eve 100 transporta quatro passageiros e um piloto, com autonomia de 160 quilômetros e velocidade de até 240 km/h.

Apesar do foco no táxi aéreo, há projetos para uso privado. É o caso do Leo Coupe, da americana Leo Flight, um veículo para dois passageiros com design esportivo que promete atingir mais de 321 km/h. Outro modelo que chama a atenção é o Pal-V Liberty, da empresa holandesa Pal-V, que funciona como um carro em rodovias e se transforma para voo em poucos minutos, com preço estimado em 499 mil euros.

A diversidade de projetos é grande, incluindo desde aeronaves para dois passageiros, como o Volocity da alemã Volocopter, até modelos de alta capacidade, como o LA-44 SkyBus, da britânica Lyte Aviation, que pretende transportar 40 passageiros com autonomia de 1.000 quilômetros usando propulsão híbrida.