O governo dos Estados Unidos liberou nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, um dos maiores acervos de informações sigilosas sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) da história. O pacote de dados, com aproximadamente 40 terabytes, inclui milhares de documentos, mais de 2.000 horas de vídeos e gravações de áudio de incidentes registrados por militares nas últimas sete décadas.

Apesar da expectativa gerada em torno da divulgação, o relatório final do Pentágono, divulgado simultaneamente, concluiu que a grande maioria dos casos analisados não tem origem extraterrestre. Segundo o Departamento de Defesa, muitos dos Fenômenos Aéreos Não Identificados, ou UAPs (na sigla em inglês), são atribuídos a drones, balões meteorológicos, detritos aéreos como sacolas plásticas e anomalias em sensores de equipamentos militares.

O material foi disponibilizado ao público em um novo portal, que enfrentou instabilidade nas primeiras horas devido ao alto volume de acessos. A iniciativa cumpre uma determinação do Congresso norte-americano, que aprovou no ano passado uma legislação exigindo maior transparência sobre o tema. A pressão parlamentar aumentou após depoimentos de ex-oficiais de inteligência, como o de David Grusch, que afirmou em 2023 que o governo mantinha um programa secreto de recuperação de naves de origem "não humana".

O acervo contém relatórios detalhados de encontros que permaneciam sob sigilo. Entre eles, estão novos ângulos e dados telemétricos do famoso incidente "Tic Tac", ocorrido em 2004 com o porta-aviões USS Nimitz, no qual pilotos de caça perseguiram um objeto branco, liso e sem asas, que realizava manobras impossíveis para a tecnologia da época. Outros casos notórios, como os avistamentos de 2015 pelo esquadrão do USS Theodore Roosevelt, também ganharam novos arquivos.

Fontes do Pentágono, no entanto, reforçam que mesmo os casos mais desconcertantes, que representam uma pequena fração do total (cerca de 5%), não são sinônimo de vida alienígena. O Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO), criado em 2022 para centralizar as investigações, afirma que "não explicado" não significa "extraterrestre". Para o órgão, esses poucos incidentes representam falhas nos dados de sensores ou fenômenos que necessitam de mais informações para serem conclusivamente identificados.

A reação da comunidade ufológica e de parte do público foi mista. Enquanto alguns celebram a transparência inédita, outros acusam o governo de liberar apenas informações que não comprometem a segurança nacional, mantendo os casos mais significativos em segredo. Cientistas, por sua vez, veem a liberação como um passo positivo para a análise de dados. A NASA, que conduz um painel independente sobre o tema, já havia recomendado em 2023 a coleta de informações mais robusta e padronizada, usando instrumentos científicos avançados em vez de apenas registros militares.

Historicamente, o governo americano mantém uma postura cética. O Projeto Livro Azul, encerrado em 1969, investigou mais de 12 mil avistamentos e concluiu que a maioria era explicável. O interesse oficial pelo assunto foi reacendido publicamente em 2017, quando o jornal The New York Times revelou a existência de um programa secreto no Pentágono para investigar OVNIs. Desde então, a pressão por respostas cresceu.

O relatório de 2021 da Diretoria de Inteligência Nacional (ODNI) já havia sido um marco, analisando 144 incidentes registrados entre 2004 e 2021. Naquela ocasião, apenas um foi explicado com segurança (um balão murchando), enquanto os outros 143 permaneceram um mistério, classificados como potenciais riscos à segurança de voo e desafios para a segurança nacional.

Com a divulgação massiva de agora, o Pentágono espera desmistificar parte do folclore em torno dos OVNIs, ao mesmo tempo em que padroniza os relatos para focar nos incidentes que realmente representam um risco, sejam eles de origem terrestre ou não. A análise completa do acervo de 40 terabytes por pesquisadores independentes e pela sociedade civil deve levar anos e promete alimentar o debate sobre a existência de vida fora da Terra e o que, de fato, transita pelos céus do planeta.