A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta semana o registro de cinco casos de hantavirose no município de Cruzeiro, localizado no interior de São Paulo. O alerta acendeu um sinal amarelo nas autoridades sanitárias do Brasil devido à alta taxa de letalidade da doença, que pode chegar a 40% em sua forma mais grave, a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).

Os pacientes estão recebendo cuidados médicos em unidades hospitalares da região. Equipes de vigilância epidemiológica do estado de São Paulo e do município já iniciaram uma investigação detalhada para identificar a origem do surto e buscar ativamente por outros possíveis casos. A participação da OMS no monitoramento indica a gravidade e o potencial de disseminação da doença, que apesar de rara, exige uma resposta rápida e coordenada.

A hantavirose é uma zoonose viral, ou seja, uma doença transmitida de animais para seres humanos. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de poeira contaminada com urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. O contágio não acontece pelo contato com ratos urbanos, como a ratazana ou o camundongo comum, mas sim por espécies que vivem em áreas rurais, de mata e de cerrado.

Os sintomas iniciais da hantavirose são parecidos com os de uma gripe forte. A fase inicial, que dura de três a seis dias, geralmente inclui febre alta, dores de cabeça, dores musculares intensas, principalmente nas costas e coxas, tontura e mal,estar generalizado. Também podem ocorrer sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e dor abdominal.

O grande perigo reside na rápida evolução do quadro. Após a fase inicial, o paciente pode desenvolver a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Nessa etapa, surgem tosse seca e dificuldade respiratória progressiva, causada pelo acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). A pressão arterial pode cair drasticamente, levando a um choque circulatório e falência de órgãos. A hospitalização em unidades de terapia intensiva (UTI) é fundamental para o suporte à vida.

Não existe um tratamento específico ou vacina disponível contra a hantavirose. O tratamento oferecido é de suporte, focado em aliviar os sintomas e estabilizar as funções vitais do paciente, especialmente a respiratória e a cardiovascular, enquanto o organismo combate o vírus. Por isso, o diagnóstico precoce e o rápido início do suporte médico são cruciais para aumentar as chances de sobrevivência.

Segundo dados históricos do Ministério da Saúde, o Brasil registra casos de hantavirose todos os anos, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste. O perfil epidemiológico da doença está associado a atividades agrícolas, desmatamento ou qualquer situação que aumente o contato humano com o habitat dos roedores silvestres. A exposição pode ocorrer ao limpar galpões, paióis, celeiros ou casas que ficaram fechadas por muito tempo em áreas de risco.

As medidas de prevenção são a principal ferramenta contra a doença. Autoridades de saúde recomendam evitar o contato direto com roedores silvestres e seus dejetos. Para quem vive ou trabalha em áreas rurais, é essencial manter os terrenos limpos ao redor das residências, em um raio de pelo menos 30 metros, e vedar todas as frestas e buracos em paredes e telhados para impedir a entrada dos animais.

Ao realizar a limpeza de locais suspeitos de contaminação, o procedimento deve ser cuidadoso. A orientação é nunca varrer ou aspirar a seco, pois isso levanta a poeira contaminada. O correto é umedecer o local com uma solução de água sanitária (hipoclorito de sódio) diluída em água, na proporção de uma parte de água sanitária para nove de água. É preciso usar luvas e máscaras de proteção, preferencialmente do tipo PFF2, para realizar a limpeza e descartar o material em sacos de lixo bem fechados.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, em conjunto com o município de Cruzeiro, está intensificando as ações de informação à população local e capacitando os profissionais de saúde para a identificação e o manejo de casos suspeitos. A investigação em curso buscará mapear as áreas de risco e entender a dinâmica da transmissão para direcionar as estratégias de controle e evitar novos contágios.