O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Emirados Árabes Unidos de estarem "diretamente envolvidos em operações militares" contra Teerã. A declaração foi feita nesta quinta-feira (14), durante um discurso em uma cúpula do Brics na Índia.

Segundo o chanceler iraniano, o país vizinho permitiu que "seu território fosse usado para disparos de artilharia e equipamentos" contra o Irã. Araqchi aconselhou os Emirados a reverem sua política em relação ao governo iraniano.

"Quando essa agressão começou, eles sequer se deram ao trabalho de condená-la. (...) Ficou claro que eles participaram desses ataques e talvez até tenham agido diretamente contra nós. Portanto, os Emirados são parceiros ativos dessa agressão, e não há dúvida sobre isso", afirmou Araqchi.

A acusação ocorre um dia depois de o governo de Israel admitir, em comunicado oficial, um suposto encontro secreto entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, no entanto, negou a reunião e classificou as alegações como "infundadas".

Apesar da negativa, uma fonte da agência de notícias Reuters afirma que o encontro ocorreu em Al-Ain, cidade na fronteira com Omã, no dia 26 de março, e durou várias horas. O comunicado israelense, sem confirmar os detalhes, descreveu a reunião como um "avanço histórico" nas relações bilaterais, formalizadas nos Acordos de Abraão de 2020.

A nota de Israel foi divulgada dois dias após o jornal americano "The Wall Street Journal" publicar uma reportagem afirmando que os Emirados Árabes estariam atacando secretamente o Irã. O país não reconhece publicamente os ataques.

A cooperação militar entre Israel e os Emirados também foi pauta na semana. Na terça-feira (12), o embaixador de Israel nos EUA, Mike Huckabee, confirmou o envio de baterias e pessoal do sistema de defesa aérea Domo de Ferro para o país árabe, informação confirmada por fontes à rede CBS News.

Em resposta às tensões, Anwar Gargash, assessor do presidente dos Emirados Árabes Unidos, declarou que seu país permanece comprometido com soluções políticas e diplomáticas. Ele disse que os Emirados não buscaram o conflito, mas ressaltou o direito do país de defender sua soberania.