O governo do Irã apresentou uma nova proposta de paz aos Estados Unidos com seis exigências principais, em um momento de alta tensão no Oriente Médio. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal iraniana IRNA, que citou o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Kazem Gharibabadi.

Segundo Gharibabadi, as condições para um acordo incluem o levantamento completo das sanções contra Teerã, a liberação de fundos iranianos congelados no exterior e o fim do bloqueio marítimo imposto ao país. O Irã também exige o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a retirada das forças americanas de áreas próximas ao seu território e um reembolso pelas despesas com a destruição causada pelo conflito.

A proposta foi apresentada em meio a um recuo estratégico dos EUA. O presidente americano, Donald Trump, suspendeu um ataque militar em larga escala contra o Irã, que estava previsto para esta terça-feira (19). A decisão de última hora atendeu a um pedido direto dos líderes da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Apesar da suspensão, o Pentágono segue em prontidão total. Fontes de inteligência confirmaram que os Estados Unidos rejeitaram a proposta de paz enviada pelo Irã por meio de interlocutores paquistaneses, classificando o texto como "insuficiente".

O principal ponto de impasse, segundo autoridades americanas, é a recusa do Irã em entregar seu estoque de urânio enriquecido e paralisar completamente seu programa nuclear pelas próximas duas décadas. Um alto funcionário dos EUA, citado pelo site Axios, afirmou que a nova proposta não traz avanços significativos e que as negociações podem ter que continuar "com bombas" se a posição iraniana não mudar.

O cancelamento temporário do ataque trouxe alívio aos mercados globais, com queda na cotação do dólar. No entanto, o preço do barril de petróleo tipo Brent continua pressionado, operando na casa dos 110 dólares. O mercado financeiro permanece em alerta, pois o bloqueio naval americano aos portos iranianos está mantido, restringindo o fluxo de combustíveis na região.

Existem informações conflitantes sobre as negociações. A agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, noticiou que os EUA teriam concordado em suspender as sanções ao petróleo durante as conversas. Contudo, um oficial americano ouvido pelo Axios negou a informação, afirmando que nenhum alívio das sanções acontecerá "de graça", sem uma ação recíproca de Teerã.

No Brasil, o presidente Lula mencionou que o governo tem adotado medidas para tentar aliviar o impacto da alta no preço do petróleo para os consumidores.