O medo da radiação em exames de imagem, como tomografias e raios-X, ainda faz com que muitos pacientes adiem ou recusem procedimentos que podem ser decisivos para o diagnóstico e tratamento de doenças. O receio, embora compreensível, é considerado infundado por especialistas diante da tecnologia atual, e a recusa pode comprometer tratamentos e salvar vidas.
Segundo o radiologista Giovanni Cerri (CRM 28697), do Hospital Sírio-Libanês, a associação da palavra "radiação" a desastres como Chernobyl e o acidente com o Césio-137 no Brasil cria uma barreira psicológica. No entanto, a realidade na medicina moderna é outra. Anualmente, o Brasil realiza 168 milhões de exames de imagem com radiação ionizante, somando a rede pública e a privada, segundo o Atlas da Radiologia no Brasil. Destes, mais de 100 milhões são feitos apenas no SUS.
A evolução tecnológica na área foi drástica. "No final do século XIX e início do século XX, quando a radiologia estava em seus primórdios, havia riscos reais", explica o texto de Cerri. Hoje, os equipamentos são muito mais modernos e precisos, utilizando doses de radiação significativamente menores do que no passado para obter imagens de alta qualidade.
A tomografia computadorizada, exame que mais expõe o paciente à radiação, é um exemplo dessa evolução. Aparelhos atuais contam com algoritmos e inteligência artificial que ajustam a dose de radiação com base na anatomia de cada paciente, reduzindo a exposição ao mínimo necessário.
Além da tecnologia, os protocolos de segurança também avançaram. Nenhum exame com radiação pode ser realizado sem uma justificativa médica consistente, que comprove que o benefício do diagnóstico supera o risco da exposição. Segue-se o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que determina o uso da dose "tão baixa quanto racionalmente exequível".
A dose é calculada individualmente, considerando peso e altura, e é drasticamente reduzida em crianças, cujas células em multiplicação são mais sensíveis. Os profissionais de saúde também são protegidos, com um limite anual de radiação acumulada.
Pacientes são encorajados a conversar com seus médicos, questionando a necessidade do exame, os benefícios e as proteções utilizadas. Existem alternativas que não usam radiação, como a ultrassonografia e a ressonância magnética. No caso de gestantes, se uma tomografia abdominal for indispensável, são adotados protocolos de proteção máxima.
Giovanni Cerri, que também é head de Radiologia da Brazil Health, reforça que os exames são ferramentas essenciais para orientar tratamentos e não devem ser negligenciados por medo. "Hoje os protocolos e os equipamentos oferecem segurança a todos os pacientes", afirma.









