A economia brasileira deve voltar a figurar entre as dez maiores do mundo em 2026, de acordo com as projeções mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI). O otimismo se baseia no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que registrou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre do ano, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (29).

Com esse avanço, o Brasil está posicionado para ultrapassar o Canadá no ranking global, retomando um posto que não ocupava desde 2025. No ano passado e em 2024, o país se manteve na 11ª posição. O crescimento de 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025 colocou o Brasil com o sexto melhor desempenho entre 45 das principais economias do mundo, segundo levantamento da Austing Rating. Apenas Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China apresentaram resultados superiores no período.

O FMI revisou para cima sua projeção de crescimento para o PIB brasileiro em 2026, passando de 1,6% para 1,9%. A melhora no desempenho do Brasil ocorre em um cenário de desaceleração global. O próprio Fundo reduziu sua estimativa para o crescimento da economia mundial de 3,3% para 3,1%, citando o impacto da alta nos preços dos combustíveis, provocada pela guerra entre EUA, Israel e Irã. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o cenário representa o "maior choque do petróleo da história".

A alta nas cotações do petróleo, no entanto, tende a beneficiar países exportadores da matéria-prima, como o Brasil, graças à produção do pré-sal, e a Rússia. A projeção de crescimento da economia russa também foi elevada pelo FMI, de 0,8% para 1,1%.

As projeções do organismo multilateral, que vão até 2031, indicam que o Brasil deve continuar subindo no ranking. Após alcançar a 10ª posição este ano, a estimativa é que o país supere a Rússia em 2027, chegando ao nono lugar. Em 2028, a previsão é de que a economia brasileira ultrapasse a da Itália, consolidando-se como a oitava maior do mundo, posição que deve manter até o fim da década.

A comparação entre as economias é feita com base no PIB em dólares. Isso significa que a valorização do real frente à moeda americana, observada desde o fim de 2025, também contribui para melhorar a posição do Brasil no ranking, independentemente do ritmo do crescimento econômico.

Apesar do volume expressivo do PIB, o indicador de riqueza por habitante mostra uma realidade diferente. No ranking de PIB per capita de 2025, o Brasil registrou US$ 10.685,69, ficando abaixo de países como a Albânia (US$ 11.234,55) e logo acima de São Vicente e Granadinas (US$ 10.572,65), de acordo com os dados do FMI.