Uma força-tarefa com cerca de 300 agentes da Polícia Militar de São Paulo foi mobilizada nas primeiras horas desta manhã em Paraisópolis, na Zona Sul da capital. O objetivo principal da chamada 'Operação Liberdade' foi a derrubada de ao menos 15 barricadas e obstáculos físicos, construídos por organizações criminosas para impedir o acesso das forças de segurança e controlar o território.
As barreiras, compostas por blocos de concreto, ferro, madeira e entulho, são uma tática conhecida de facções para criar 'zonas de exclusão', onde a presença do Estado é dificultada. Segundo informações do comando da operação, essas estruturas não apenas bloqueavam a passagem de viaturas policiais, mas também serviam como pontos de controle do tráfico de drogas e rotas de fuga para criminosos em caso de incursões.
Para a remoção, a PM utilizou maquinário pesado, incluindo tratores e caminhões, que adentraram as vielas e ruas da comunidade sob forte escolta de unidades táticas, como a Força Tática e o Batalhão de Choque. A movimentação intensa de policiais e o sobrevoo de helicópteros marcaram o início do dia para os moradores, alterando a rotina de uma das maiores comunidades da América Latina, com uma população estimada em 100 mil pessoas.
A ação é uma resposta direta do governo estadual ao avanço do crime organizado e à tentativa de facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), de consolidar seu domínio em áreas estratégicas da cidade. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou em comunicado que a operação visa ‘devolver o direito de ir e vir aos cidadãos e asfixiar financeiramente as atividades criminosas’ que dependem desse controle geográfico.
Paraisópolis, localizada ao lado do bairro nobre do Morumbi, é um símbolo do contraste social paulistano e possui um longo histórico de tensões entre a comunidade e as forças policiais. A memória de operações anteriores com desfechos trágicos, como o episódio do Baile da DZ7 em 2019, que resultou na morte de nove jovens, ainda paira sobre a comunidade. Por isso, ações de grande porte como a de hoje são vistas com uma mistura de esperança e apreensão pelos moradores.
Lideranças comunitárias, que preferem não se identificar por segurança, relatam um sentimento dividido. Por um lado, há um alívio com a possibilidade de enfraquecimento do poder paralelo que impõe regras e violência. Por outro, existe o temor de que as operações resultem em confrontos, abusos ou na criminalização de toda a comunidade, afetando trabalhadores e jovens que não têm qualquer ligação com o crime.
Especialistas em segurança pública apontam que a simples remoção de barreiras, embora seja uma medida necessária para a retomada do território, precisa ser acompanhada de políticas públicas contínuas. A presença do Estado, argumentam, não pode se resumir a operações policiais esporádicas. É fundamental a chegada de serviços de saúde, educação, cultura e oportunidades de emprego para que a comunidade se fortaleça e as facções percam espaço de forma sustentável.
A SSP informou que o policiamento na região de Paraisópolis será reforçado por tempo indeterminado para impedir que os obstáculos sejam reconstruídos. Além disso, a Polícia Civil deve intensificar as investigações para identificar e prender os responsáveis pela instalação das barricadas e pelo comando do tráfico local. A expectativa das autoridades é que, com a livre circulação, o trabalho de inteligência e patrulhamento preventivo seja mais eficaz, refletindo em uma queda nos índices de criminalidade da região a médio e longo prazo.








