O Tribunal Distrital de Lod, em Israel, negou nesta semana o pedido de libertação do ativista brasileiro Thiago Pellicciari de Avila, de 38 anos. Preso desde o dia 2 de abril, ele permanecerá em detenção até o fim de seu julgamento. A decisão representa um revés para a defesa, que buscava que ele respondesse ao processo em liberdade.
Avila, natural de Porto Alegre (RS), foi detido durante um protesto na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel. Ele é formalmente acusado de duas infrações: agressão a um soldado e obstrução das atividades de um militar. Segundo as autoridades israelenses, as evidências apresentadas são suficientes para sustentar a acusação e justificar a manutenção da prisão.
Na sua decisão, o juiz Haim Hertzel argumentou que a condição de estrangeiro de Thiago, sem residência ou laços familiares em Israel, aumenta o risco de fuga. Além disso, o magistrado considerou que o ativista representa um "perigo para a segurança pública", outro fator que pesou para mantê-lo sob custódia.
A versão da defesa, no entanto, contrasta diretamente com a acusação. Os advogados de Avila afirmam que, no momento da confusão, ele atuava como socorrista voluntário, prestando primeiros socorros a um manifestante palestino ferido. Eles destacam que o brasileiro usava um colete de identificação médica e que sua ação foi não violenta, focada exclusivamente na ajuda humanitária.
O incidente ocorreu nas proximidades da cidade de Tulkarem, uma área de frequentes tensões e confrontos entre palestinos e forças de segurança de Israel. Avila participava de uma manifestação organizada pelo grupo "Anarchists Against the Wall" (Anarquistas Contra o Muro), um coletivo internacional conhecido por realizar protestos não violentos contra a barreira construída por Israel na Cisjordânia.
A Cisjordânia, juntamente com a Faixa de Gaza, é uma das áreas centrais da disputa territorial entre israelenses e palestinos. O território foi ocupado por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Desde então, a presença de assentamentos e militares israelenses na região é uma das principais fontes do conflito.
O governo brasileiro acompanha o caso de perto. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, informou que está prestando assistência consular a Thiago Avila por meio do Escritório de Representação do Brasil em Ramala, capital administrativa da Palestina. A pasta confirmou que o brasileiro recebe visitas regulares da equipe consular e que o governo busca garantir que seus direitos sejam respeitados.
A prisão do ativista ocorre em um momento de relações diplomáticas estremecidas entre Brasil e Israel. A tensão aumentou significativamente em fevereiro, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparar as ações militares de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto. A fala gerou uma crise diplomática, com Israel declarando Lula "persona non grata" e o Brasil chamando seu embaixador em Tel Aviv para consultas.
Enquanto aguarda os próximos passos do processo, Thiago Avila segue detido. Uma nova audiência sobre o caso está agendada para o próximo dia 29 de maio, quando a defesa poderá apresentar novos argumentos ou testemunhas. Até uma decisão final, a determinação da Justiça israelense é que ele permaneça na prisão.









