O rendimento médio mensal do brasileiro atingiu a marca recorde de R$ 3.167 em 2025, o maior valor já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O montante representa um aumento real de 7,5% em comparação com os R$ 2.946 apurados em 2024. O pico anterior havia sido registrado em 2014, com R$ 3.007.

A pesquisa, que considera todas as fontes de renda, como salários, aposentadorias, aluguéis e programas sociais, revela um cenário de recuperação econômica e aquecimento do mercado de trabalho. Segundo o IBGE, a alta no rendimento foi impulsionada principalmente pelo aumento do número de pessoas ocupadas e pela valorização dos salários em diversas categorias profissionais. Além disso, a expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, também contribuiu para o resultado positivo.

A análise regional dos dados mostra que o Distrito Federal lidera o ranking de maior rendimento médio, com R$ 5.138 por mês, seguido por São Paulo (R$ 4.047) e Rio de Janeiro (R$ 3.612). Na outra ponta, os estados com os menores rendimentos médios são o Maranhão, com R$ 1.884, e o Ceará, com R$ 2.073. A diferença entre o maior e o menor rendimento evidencia a persistente desigualdade regional no país.

Quando se analisa o rendimento por tipo de fonte, a pesquisa detalha que a renda proveniente do trabalho assalariado foi a que mais contribuiu para o crescimento geral, com uma alta de 8,2%. Já os rendimentos de outras fontes, que incluem aluguéis, juros e dividendos, tiveram um aumento de 5,1%. A renda dos trabalhadores por conta própria também apresentou um crescimento significativo, de 6,8%, refletindo o aquecimento da atividade econômica.

Especialistas apontam que a melhora no cenário do emprego foi fundamental para esse resultado. A taxa de desemprego no país vem apresentando quedas consecutivas, e a geração de vagas formais tem se mantido em patamares elevados. Esse contexto favorece o aumento da massa salarial e, consequentemente, do rendimento médio das famílias.

Apesar do avanço, a desigualdade de renda ainda é um desafio para o Brasil. O índice de Gini, que mede a concentração de renda, teve uma leve melhora, passando de 0,518 em 2024 para 0,515 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. A queda, embora tímida, indica uma pequena redução na disparidade entre os mais ricos e os mais pobres.

O rendimento médio dos 10% mais ricos da população brasileira foi de R$ 15.835 em 2025, enquanto o dos 10% mais pobres foi de apenas R$ 498. Isso significa que os mais ricos ganham, em média, 31,8 vezes mais que os mais pobres. A título de comparação, em 2024, essa diferença era de 32,5 vezes.

Outro dado relevante da Pnad Contínua é a análise por cor ou raça. A população branca segue com o maior rendimento médio, de R$ 4.198, enquanto a população preta tem um rendimento de R$ 2.387 e a parda, de R$ 2.458. A diferença salarial entre brancos e negros, portanto, permanece em um patamar elevado, evidenciando o racismo estrutural presente no mercado de trabalho brasileiro.

Economistas preveem que a tendência de alta no rendimento deve continuar nos próximos meses, mas em um ritmo mais moderado. Fatores como a inflação e a taxa de juros podem influenciar o poder de compra da população e o ritmo de crescimento da economia. Para que o aumento do rendimento seja sustentável a longo prazo, é fundamental que o país continue investindo em educação, qualificação profissional e políticas de inclusão social.