A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento foi entregue em uma reunião na última segunda-feira, com complementos no dia seguinte, marcando a segunda tentativa de acordo após a primeira versão ter sido rejeitada.

A proposta inicial, conduzida pelo advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, foi classificada pelos investigadores como “inconsistente” e “omissiva”. Com a troca na defesa, agora sob a coordenação do criminalista Sérgio Leonardo, a expectativa na PF e na PGR é que o acordo só avance se Vorcaro ampliar o escopo das investigações sobre as fraudes bilionárias do Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Segundo integrantes dos órgãos, a primeira versão dos anexos parecia mais uma peça de defesa do que um relato colaborativo com admissão de crimes e apresentação de novas provas. Agora, os investigadores esperam que Vorcaro admita as irregularidades que praticou e detalhe o passo a passo de como movimentou bilhões de reais por meio de uma rede de fundos nacionais e internacionais.

Uma das condições para a assinatura do acordo é uma reparação de aproximadamente R$ 60 bilhões. O valor considera o prejuízo causado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), as perdas do BRB na compra de carteiras falsas do Master e o volume destinado por fundos de pensão estaduais e municipais, como o Rioprevidência (RJ) e o Amprev (AP).

Os investigadores também querem que o banqueiro aprofunde os detalhes de suas relações políticas, apresentando provas que reforcem frentes de apuração já existentes. A primeira proposta de delação, por exemplo, omitiu o suposto pagamento de uma mesada ao senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), que foi alvo de uma operação de busca e apreensão no mês passado. O senador nega as irregularidades. Os aportes do Rioprevidência também levaram a PF a realizar uma operação contra o governador Cláudio Castro (PL) na semana passada.

Outro ponto sensível envolve a mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes. Conforme divulgado pela colunista Malu Gaspar, de O GLOBO, um dos anexos da delação mencionava um novo contrato, no valor de R$ 50 milhões, entre uma empresa de Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. O documento, porém, não teria sido assinado. Em nota, o escritório afirmou que não concretizou nenhum outro contrato com o banqueiro e não recebeu valores. O ministro Moraes não quis comentar.

Após a nova proposta ser entregue, a PF e a PGR irão avaliar se o conteúdo traz informações inéditas e relevantes. Se houver elementos para avançar, Vorcaro será convocado para depoimentos. A decisão final sobre a homologação do acordo caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.