Pequenos, discretos e repletos de sensores, os anéis inteligentes (smart rings) despontam como uma das categorias de maior crescimento no mercado de tecnologias vestíveis, os wearables. Diferente dos smartwatches, a proposta não é exibir notificações ou rodar aplicativos em uma tela, mas sim monitorar dados de saúde de forma silenciosa e quase imperceptível no dia a dia.

Com peso geralmente inferior a 5 gramas, os anéis acompanham indicadores como frequência cardíaca, temperatura corporal, saturação de oxigênio no sangue (SpO₂), variabilidade da frequência cardíaca (HRV) e qualidade do sono. O foco principal é a recuperação física, o bem-estar e o monitoramento preventivo da saúde.

O interesse crescente pela categoria se reflete nos números. De acordo com a consultoria Omdia, o segmento de smart rings saltou de 850 mil unidades vendidas em 2023 para uma projeção de 1,8 milhão em 2024. O avanço acompanha a busca do consumidor por dispositivos mais discretos e com menor necessidade de interação.

No Brasil, o mercado ainda é dominado por modelos importados, mas algumas fabricantes já iniciaram as vendas oficiais. Os preços variam de aproximadamente R$ 350, em opções de entrada como o Smart Ring Colmi R10, a mais de R$ 3.500 em versões premium, como o Samsung Galaxy Ring Ai Fitness (R$ 3.599,54) e o Ultrahuman Ring Air (R$ 3.500,78).

A expansão do setor também acirrou a concorrência. Em outubro de 2025, a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC) decidiu a favor da empresa Oura em um processo de patentes contra as concorrentes Ultrahuman e RingConn, restringindo a venda de alguns modelos no mercado americano. A decisão, contudo, não afeta o Brasil.

Antes de comprar, é fundamental avaliar alguns pontos. O ajuste do anel no dedo é o mais importante, pois um encaixe inadequado pode comprometer a precisão dos sensores. Outro fator é a possível cobrança de assinatura mensal, exigida por algumas marcas para liberar análises completas de dados no aplicativo.

A autonomia da bateria também varia significativamente, de três a quatro dias em alguns anéis até dez dias em outros. A compatibilidade com sistemas Android e iPhone e a resistência à água são outras características que merecem atenção.

Apesar do avanço, os anéis inteligentes não substituem completamente os smartwatches. Os anéis se destacam pelo conforto no uso prolongado, principalmente durante o sono, sendo ideais para o monitoramento contínuo e discreto. Já os relógios inteligentes seguem mais completos para atividades físicas, com GPS integrado, acompanhamento detalhado de exercícios e interação em tempo real com notificações e chamadas. Na prática, muitos usuários adotam os dois aparelhos de forma complementar.