O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta médica e deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, no início desta semana. Ele estava internado desde o dia 6 de maio para tratar um quadro de erisipela, uma infecção bacteriana na perna esquerda, e uma nova crise de obstrução intestinal. Segundo o cirurgião Antônio Luiz Macedo, responsável pelo tratamento de Bolsonaro desde o atentado sofrido em 2018, o período de recuperação e acompanhamento médico deve se estender por seis a nove meses.
A internação teve início em Manaus (AM), onde Bolsonaro cumpria agenda política. Com o agravamento do seu quadro de saúde, ele foi transferido em uma UTI aérea para a capital paulista, onde deu continuidade ao tratamento. A equipe médica optou por uma abordagem clínica, com uso de antibióticos para a infecção e medidas para tratar o problema intestinal, descartando, por ora, a necessidade de um novo procedimento cirúrgico.
A obstrução intestinal é um problema recorrente para o ex-presidente e está diretamente ligada à facada que ele sofreu durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG). O atentado causou danos graves ao sistema digestivo, o que o forçou a passar por diversas cirurgias desde então. Esta é a sexta vez que Bolsonaro é internado por razões similares.
A primeira cirurgia ocorreu horas após o ataque, ainda em Juiz de Fora. Transferido para São Paulo, ele passou por um segundo procedimento para reverter uma colostomia. Desde então, as aderências, que são tecidos cicatriciais formados no interior do abdômen, têm causado episódios de obstrução. Em janeiro de 2022, ele foi internado nas férias em Santa Catarina. Já em março de 2023, deu entrada em um hospital nos Estados Unidos. Novas internações pelo mesmo motivo ocorreram em agosto e setembro do ano passado, em São Paulo.
Seu médico, Antônio Luiz Macedo, explicou que o período de acompanhamento de até nove meses é necessário para observar a evolução do quadro clínico. “Ele teve um quadro infeccioso de erisipela e um novo episódio de obstrução intestinal, o que sempre representa um risco pela fragilidade de seu intestino”, afirmou um profissional da equipe em condição de anonimato. A recomendação inclui repouso, dieta controlada e observação constante de qualquer sintoma adverso.
A erisipela, por sua vez, é uma infecção que atinge as camadas mais superficiais da pele, causada por bactérias. Embora seja comum, o quadro de Bolsonaro inspirou mais cuidados por seu histórico de saúde. O tratamento com antibióticos intravenosos foi eficaz, e a infecção está controlada, mas a área afetada ainda requer atenção para evitar complicações.
Do ponto de vista político, a internação interrompeu uma série de viagens que Bolsonaro vinha fazendo pelo país para apoiar pré-candidatos do PL nas eleições municipais deste ano. Inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030, o ex-presidente tem atuado como principal cabo eleitoral de seu partido, buscando fortalecer a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A pausa forçada por motivos de saúde pode impactar sua participação em eventos políticos nas próximas semanas.
Agora em casa, a rotina de Bolsonaro será adaptada para priorizar a recuperação. A orientação médica é de que ele evite esforços físicos e mantenha uma alimentação leve e balanceada para não sobrecarregar o sistema digestivo. O retorno às atividades públicas e viagens pelo país dependerá da liberação de sua equipe médica, que avaliará periodicamente sua condição de saúde. A longa janela de acompanhamento, de seis a nove meses, sinaliza a complexidade de seu histórico clínico e a necessidade de vigilância constante para prevenir novas crises.







