Uma nova modalidade de construção está transformando o sonho da casa própria em realidade para muitos brasileiros, com um custo inicial de R$ 60 mil. Trata-se do domo geodésico, uma estrutura arquitetônica que combina sustentabilidade, rapidez na construção e um design inovador. A proposta oferece uma alternativa viável em um mercado imobiliário cada vez mais aquecido, onde o preço médio de um imóvel popular já supera os R$ 200 mil, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

O conceito não é exatamente novo. O domo geodésico foi popularizado pelo arquiteto norte,americano Richard Buckminster Fuller no século 20. Sua estrutura é formada por uma rede de triângulos que, conectados, criam uma esfera autoportante de grande resistência. Essa geometria distribui o peso de maneira uniforme por toda a superfície, o que torna a construção extremamente estável e segura, mesmo com o uso de materiais mais leves. Além disso, a ausência de colunas internas permite um aproveitamento de espaço muito superior ao de uma casa convencional de mesma metragem.

Empresas brasileiras que investem no modelo afirmam que o tempo de construção pode ser até 70% menor em comparação com o método de alvenaria. Enquanto uma casa tradicional leva meses para ser erguida, um domo de tamanho médio pode ficar pronto em poucas semanas. O processo construtivo também gera menos resíduos, um ponto positivo para o meio ambiente e para o bolso do consumidor, que economiza com a remoção de entulho.

O valor de R$ 60 mil geralmente cobre o kit básico da estrutura, que pode ser montada pelo próprio comprador (no estilo "faça você mesmo") ou por uma equipe especializada. Esse montante, contudo, não inclui o terreno, a fundação, as instalações elétricas e hidráulicas, nem os acabamentos finais. Mesmo com esses custos adicionais, o valor total do investimento permanece competitivo, especialmente quando comparado aos preços por metro quadrado em grandes centros urbanos. Em Barueri, por exemplo, o valor médio do metro quadrado para venda pode ultrapassar os R$ 7 mil, de acordo com índices imobiliários como o FipeZAP.

A sustentabilidade é um dos principais atrativos. O formato esférico dos domos proporciona uma circulação de ar mais eficiente e uma melhor distribuição de luz natural, o que resulta em uma economia de até 30% nas contas de energia elétrica com aquecimento e refrigeração. Os materiais utilizados, como madeira de reflorestamento e metais recicláveis, reforçam o apelo ecológico da construção, alinhado à crescente demanda por moradias com menor impacto ambiental.

O mercado para construções alternativas tem apresentado crescimento consistente no Brasil. Impulsionado pela busca por soluções para o déficit habitacional, estimado em mais de 6 milhões de moradias pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e pela valorização de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), o setor atrai tanto consumidores finais quanto investidores. Os domos geodésicos se encaixam nesse cenário, servindo não apenas como residência, mas também como espaços para hotelaria, escritórios, estúdios e áreas de lazer.

Apesar das vantagens, a popularização dos domos ainda enfrenta desafios, como a necessidade de adequação às legislações municipais de construção e a busca por linhas de financiamento imobiliário específicas. Contudo, diversas construtoras do ramo já oferecem suporte para a aprovação dos projetos junto às prefeituras e algumas instituições financeiras começam a olhar com mais atenção para esses modelos construtivos. Com a combinação de custo acessível, apelo ecológico e agilidade, os domos se posicionam como uma forte tendência no futuro da habitação no Brasil.