O fotógrafo palestino Mohammed Salem, da agência de notícias Reuters, foi o grande vencedor do prêmio Pulitzer de 2024 na categoria "Fotografia de Notícias Urgentes". A imagem que lhe rendeu a prestigiosa honraria retrata Inas Abu Maamar, de 36 anos, embalando o corpo de sua sobrinha Saly, de apenas cinco, que foi morta em um ataque com mísseis israelenses que atingiu sua casa em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.
A fotografia foi capturada em 17 de outubro de 2023, dez dias após o início do conflito entre Israel e o Hamas. Salem registrou a cena no Hospital Nasser, para onde os corpos de vítimas dos bombardeios eram levados. Em suas palavras, a imagem resume "o sentido mais amplo do que estava acontecendo na Faixa de Gaza". Ele descreveu o momento como "poderoso e triste" e espera que a foto contribua para levar uma mensagem de paz ao mundo.
Além de Salem, a equipe de fotógrafos da Reuters que cobriu o conflito em Israel e Gaza também foi reconhecida com um Pulitzer na mesma categoria. Hannah McKay, Yasser Qudih, Amr Abdallah Dalsh, Said Khatib e Ahmed Zakot estão entre os profissionais que, junto a outros nove colegas, foram premiados pelo conjunto de seu trabalho. A cobertura incluiu desde os ataques iniciais do Hamas em território israelense até a resposta militar de Israel na Faixa de Gaza.
O comitê do Pulitzer destacou que as imagens da Reuters foram "tiradas em condições terríveis e perigosas" e documentaram "com franqueza os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro e a devastadora primeira semana da retaliação de Israel em Gaza". Outra finalista na mesma categoria foi a agência Associated Press, por sua cobertura da guerra. Já a equipe do The New York Times venceu na categoria "Reportagem Internacional" pela apuração sobre o conflito.
Mohammed Salem, que trabalha para a Reuters desde 2003, já havia sido reconhecido anteriormente com o prêmio de Foto do Ano da World Press Photo em 2010. Sua experiência cobrindo a região por duas décadas lhe deu uma perspectiva única sobre a volatilidade da vida em Gaza. A imagem premiada em 2024, segundo ele, foi um momento particularmente impactante em sua carreira. "Senti que a imagem resume o sentido mais amplo do que estava acontecendo na Faixa de Gaza", afirmou Salem à Reuters. "É uma imagem muito poderosa. Trágica. E senti que não era apenas sobre uma criança morta, mas sobre o que está acontecendo com o povo palestino."
O conflito, iniciado em 7 de outubro de 2023 após um ataque do Hamas que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas em Israel e no sequestro de mais de 250, segundo autoridades israelenses, tem gerado um alto custo humano. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar em Gaza que, de acordo com o Ministério da Saúde local, administrado pelo Hamas, já causou a morte de mais de 34.000 palestinos, sendo uma parcela significativa de crianças e mulheres. Os números ressaltam a gravidade da crise humanitária na região.
A premiação de Salem e de seus colegas ocorre em um momento de intenso debate sobre a segurança de jornalistas em zonas de conflito. Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), sediado em Nova York, o atual conflito Israel, Hamas tem sido o mais mortal para a imprensa desde que a organização começou a coletar dados em 1992. Até o início de maio de 2024, o CPJ havia confirmado a morte de pelo menos 97 jornalistas e profissionais de mídia, dos quais 92 eram palestinos.
Os Prêmios Pulitzer, administrados pela Universidade Columbia, em Nova York, são considerados uma das maiores honrarias no jornalismo, literatura e composição musical nos Estados Unidos. A edição de 2024 distribuiu prêmios em 15 categorias de jornalismo, reconhecendo trabalhos que se destacaram pela qualidade, impacto e coragem. A vitória de Salem e da equipe da Reuters coloca em evidência não apenas a tragédia humana em Gaza, mas também o papel essencial do fotojornalismo em documentar a verdade em tempos de guerra.










