A Volkswagen deu início a um rigoroso programa de reestruturação para enfrentar a crise que atinge a companhia desde 2024. Em um anúncio drástico, a montadora alemã confirmou que vai cortar 50 mil postos de trabalho e reduzir sua capacidade produtiva em 1 milhão de carros até 2030, focando apenas nos veículos com maior volume de vendas.

A estratégia, segundo a empresa, é simplificar seu portfólio e racionalizar custos. Modelos e versões com baixa procura serão descontinuados. O objetivo é concentrar investimentos em carros que são sucesso de público. Nas palavras do CEO Oliver Blume, a "empresa precisa focar nos veículos certos em cada região e gerar volumes mais elevados por modelo".

Com a mudança, a Volkswagen também planeja diminuir o número de plataformas e arquiteturas eletrônicas, eliminando a complexidade dos processos de produção. A medida busca resolver o problema do excesso de capacidade nas fábricas da Europa, onde a demanda atual não acompanha o ritmo da produção.

Embora a lista completa de cortes não tenha sido divulgada, algumas despedidas já são certas. Na Audi, marca do grupo, o hatch A1 e o SUV Q2 saíram de linha. Na própria Volkswagen, a minivan Touran foi descontinuada, e o modelo T-Roc Cabriolet terá a produção encerrada em 2027. Por outro lado, o grupo planeja lançar pelo menos 20 novidades ao longo de 2026, priorizando produtos de alta demanda.

O plano de reestruturação prevê que, até 2030, pelo menos 50 mil empregos serão cortados, sendo 35 mil apenas da marca Volkswagen, afetando principalmente as operações na Alemanha. A redução na produção será de mais de 500 mil veículos na Europa e um volume semelhante na China.

A crise na gigante alemã começou em 2024, com a queda expressiva nas vendas na China, mercado antes considerado sua "galinha dos ovos de ouro". A perda de espaço para fabricantes locais foi o estopim. O cenário piorou com a retração no mercado europeu após a pandemia, onde a montadora deixou de vender cerca de 500 mil carros por ano, gerando ociosidade nas fábricas.

Com as mudanças, a Volkswagen busca alcançar um retorno sobre as vendas entre 8% e 10% até 2030 e se tornar "a montadora mais atraente do mundo". Um dos primeiros resultados do plano já foi sentido: em 2025, os custos de produção nas fábricas alemãs foram reduzidos em mais de 20%.