Começou nesta segunda-feira (22), no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, o julgamento de três policiais militares acusados de envolvimento na morte de Antônio Vinícius Gritzbach, apontado como delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). O júri popular, formado por quatro homens e três mulheres, tem previsão de durar cinco dias.

Os réus são o tenente da PM Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antonio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues. Segundo a Promotoria, Genauro dirigiu o carro de fuga, enquanto Martins e Rodrigues foram os autores dos disparos que mataram Gritzbach. Os três, que estão presos, respondem por homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio.

O crime ocorreu em 8 de novembro de 2024, na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo. Além de Gritzbach, o motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, que não tinha ligação com o delator, também foi morto. Outras duas pessoas ficaram feridas.

A primeira testemunha ouvida foi William Souza Santos, um funcionário do aeroporto atingido em três dedos da mão. Ele relatou que conversava com um amigo quando um carro parou e ouviu um barulho que parecia "rojão". Santos afirmou não conhecer as vítimas nem ter conseguido identificar os atiradores.

Em seguida, depôs a gerente de TI Samara, que voltava de viagem e foi baleada na barriga. "Eram muitos tiros, na hora achei um barulho agudo, achei que fosse outra coisa, nunca tinha ouvido. Foram rajadas, aí teve uma pausa, vários tiros de novo e daí parou", contou. Ela disse não ter visto os atiradores.

O depoimento mais comovente foi o de Simone Novais, viúva do motorista Celso. Ela contou que o último contato com o marido foi um vídeo que ele enviou de dentro da ambulância, dizendo: "Levei um tiro". Simone relatou as dificuldades financeiras e emocionais da família após a morte. "Não estamos conseguindo seguir com a vida, me preocupa especialmente o filho de 15 anos, eles eram muito apegados", desabafou.

A quarta testemunha foi o perito criminal Leandro, que analisou a cena do crime. Ele informou que foram identificados 27 disparos de fuzil, sendo 21 de calibre 7.62 e seis de 5.56. Segundo o perito, um dos tiros atingiu uma área interna do aeroporto a mais de 80 metros de distância.

A defesa dos policiais militares alega que eles são inocentes. Os advogados afirmam que "houve um direcionamento investigativo voltado à sua incriminação, sem a devida apuração de fatos e circunstâncias envolvendo outros investigados".